[SOCIAISCHUCHUBELEZA] ESTAÇÃO FERROVIÁRIA DE CRATEÚS - ORIGEM E HISTÓRIAS


Redação: Mário Lima*

Há mais de trinta anos, a estação ferroviária de Crateús-CE segue em funcionamento transportando cargas de cimento e demais materiais de construção que são conduzidos ao Porto de Pecém (Fortaleza-CE) e de lá, esses itens são distribuídos por todo o país, atendendo também o mercado da construção civil norte-americana e europeia principalmente.

A estação fica localizada no centro da cidade, na Praça Gentil Cardoso, popularmente conhecida como a Praça dos Pirulitos.

A cidade era a antiga Vila de Piranhas e pertencia a província do Piauí. Com o decreto imperial de N° 3.020 de 1880, ela tornar-se parte da província do Ceará e em 1889 oficialmente muda seu nome para Crateús.

Com a expansão da Estrada de Ferro Sobral-Camocim que ia até o Piauí, foi preciso criar a estação ferroviária na cidade para que não houvesse interrupção do funcionamento e esse fato aconteceu no ano de 1912.

Na Grave Seca de 1877 no Ceará, houve o episódio dos Flagelados da Seca, que devido a grande calamidade pública, fez com que o próprio imperador e sua comitiva percorressem algumas cidades do estado e diante da sua comoção ao ver pessoas em um estágio cadavérico ou já mortas pelas ruas, o Imperador ordenou a Criação das Obras Contra a Seca, que a partir da Era Vargas se tornaria o DNOCS (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas).

No auge dos anos 40 até meados de 70, a estação ferroviária de Crateús realizava o transporte de pessoas, animais e outros objetos especialmente para as cidades de Sobral, Camocim, Fortaleza, Senador Pompeu e Juazeiro do Norte.

Meu avô em vida e outros amigos já idosos, me relataram o quanto era bonito, efervescente e rico esse intervalo de tempo em que a ferroviária fazia viagens intermunicipais. Os trens eram belos, coloridos, se servia café da manhã, almoço e chá da tarde, haviam lugares para dormir e até mesmo músicos que agitavam os vagões com canções da época.

A estação é centenária e apesar do tempo, ela permanece sólida, imponente e convidativa para acessarmos e conhecermos mais sobre sua história.

Mesmo com a triste ação de pessoas que maculam sua imagem, querendo deturpar sua estética neoclássica, a estação ferroviária Crathéus não perderá seu brilho, relevância e funcionalidade enquanto a população seguir curiosa e preocupada com ela.

Crateús faz parte da história do nosso país e também de minhas origens e como cientista social e amante dessa terra, tenho o dever de difundir o conhecimento a todos e defender a história desse povo nordestino que não se vergou as intempéries dos tempos e construiu sua realidade desde o segundo império até os dias atuais.

*Mário Lima é publicitário, professor universitário, cientista social, consultor de empresas e colunista nas áreas de: Educação, Cultura, Empreendedorismo e Tecnologia no Portal Ler de Novo.

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